Manhã de inverno, Zed passava pela frente do cemitério.
Ele tinha o incrível dom de conseguir sentir as coisas, e o cemitério o fazia sentir pra baixo, já que era o lugar que ele sentia mais tristeza e dó.
Ele imaginava como os mortos deveriam se sentir ali, deveria ser uma tortura, mas as pessoas não entendiam isso, e ao invés de transformar num lugar de paz, transformavam numa tortura. A chuva ia caindo, e ele percebia que estava se atrasando. Normal, como todos os outros dias... Ele era por natureza atrasado, esquecido, considerado "no mundo da lua". Tudo bem, ele já estava acostumado. Chegando à fonte, sentou num banquinho ao lado de um garoto chorando de cabeça abaixada.
Ficou horas conversando, tranquilizando, tentando ajudar. E isso se seguiu por dias, com pessoas diferentes. Os dias viraram semanas, as semanas viraram meses, e ele se sentia cada vez mais responsável pelos sentimentos das pessoas, já que ele achava que poderia ajudá-las. Mas ao longo do trajeto, ele não ia percebendo que ia absorvendo um pouco da tristeza, do desapontamento, da solidão, e de cada sentimento triste que ele tirava das pessoas. Ia para a praia de noite para sentir a energia do mar, algo forte e tranquilizante ao mesmo tempo. As pessoas começaram a melhorar, e Zed começou a se sentir mais sozinho. Uma vez ou outra ia ajudar alguém, mas ele sabia que não estava mais com o 'pique' de antes.
Até que um dia ele se deu conta de que quem precisava ser ajudado era ele, mas as pessoas já haviam sumido. E ele pensava de mais nas pessoas, por isso, não pedia ajuda a ninguém. Tudo foi seguindo, até que um dia ele disse que não iria mais ajudar ninguém até estar bem consigo mesmo. O que aconteceu? Ele abriu os olhos, e agora tenta se ajudar.
Isso só prova mais uma vez que "adoramos" se meter na vida alheia (nesse caso, com boas intenções) e carregar o peso dos problemas dos outros nas nossas costas e é claro, esquecendo que nós também temos problemas. É típico do ser humano.
ResponderExcluirDizem que fazer o bem a quem é bom, mas dizem que ter amor próprio é melhor ainda...
PS: Ótimo post! Pelo visto não sou a única que escreve bem por aqui né?! Plo amoor..amei tudo.
=D
*sem olhar a quem
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